O puzzle das 64 peças
Quando estamos num estado de sobrevivência, é difícil ter em consideração os outros. Este egoísmo é uma tentativa de nos salvarmos, tantas vezes usando distrações, outras tantas, mais concentrados em comprar do que em dar. Repressivamente damos porque nos sentimos forçados, reativamente temos uma agenda que garanta algo em troca. Por isto, o dom do altruísmo vai-nos convidar sempre ao ninho, à família, e a contemplarmos essa doação e generosidade que é considerar os sentimentos dos outros, do impacto das nossas ações no mundo. E não se trata de dinheiro, coisas, de dar tudo a toda a gente. É uma forma de inteligência, já que nos convida a plantar em solos férteis. É sobre o tempo. Com quem gastamos ou em quem investimos o nosso bem mais precioso. Por muito que continuemos à procura do nosso propósito, este apresenta-se sempre mais simples do que poderíamos imaginar. Temos sempre um papel nas nossas relações, sejam de que natureza forem. Trata-se de curar pelo amor. O amor cura. Cura-nos a nós e a quem nos rodeia. Um sorriso cura, um olhar cura, um abraço cura, a escuta cura. Dar amor nunca nos esgota: cura e é o alimento dos deuses. Este é o convite de transformação da sombra do egoísmo, à siddhi da abnegação, pelo caminho do altruísmo.
O vazio. Na vida, no nosso centro, no nosso estômago. Aquilo a que chamamos de necessidade, de falta, de fome. E o sentir que nem sabemos o quê, nem como. Aquele ratito ou a expressão exagerada de estar a “morrer de fome”. O impulso que nos leva a agarrar qualquer coisa, de nos enchermos de qualquer coisa, e tantas vezes passar o ponto e, no momento seguinte, a fome de querer ficar vazio outra vez. A fome faz-nos passar esse ponto tantas vezes. Eu não sei se me custa mais ter o vazio ou sentir-me farta, cheia. O querer muito, e quando se passa o ponto… o “por favor, que isto passe”. Então, ficamos neste ping-pong entre o aborrecimento por medo que a fome nos dite o destino e o tentar preencher este vazio a todo o custo, sem compromisso, porque o saco vai estar sempre roto. O dom da aventura conta-nos que a verdadeira aventura é baseada no amor, quando nos libertamos da mente e, primeiro que tudo, que nos podemos encher de nós mesmos. Aí, teremos o que partilhar incondicionalmente, e que a dádiva é o que nos faz transbordar. Que o amor é a única coisa que pode trazer fim à fome, e que viver de coração aberto é a verdadeira aventura que esta vida tem para nós. A partir daqui, é como entrar num portal, num toróide, no buraco da minhoca, que nos leva além de qualquer limite que a nossa mente nos possa ter mostrado. É tocar a Consciência, é sentir e saber que o coração não tem limites, que o amor é ilimitado e que, quando nos guiamos por Ele, acontecem todos os milagres, que sempre esteve tudo ali. Que somos livres para amar. Este é o convite de transformação da sombra da fome à siddhi sem-limites, pelo caminho da aventura.
Desapego não é escassez. Pelo contrário, é dar-mo-nos conta da riqueza e abundância que nos habita, do que nos rodeia. Do quanto temos por nada ter, do espaço que isso nos concede. Dharma é conceder-mo-nos essa oportunidade de benção e gratidão apenas pela vida em si, a vida em ação. Ser. Nada esperar e tudo nos encontrar. Vazios e cheios ao mesmo tempo. O estado de amor, que flui, é vivo, indomável, ilimitado. Desapego é ir além dos limites da nossa mente, da nossa necessidade, do nosso ego. Celebrar a simplicidade da vida, que é abundante por natureza, quanto mais próximos dela estivermos. É este o convite de transformação da gene key 42, da sombra da expectativa à siddhi da celebração, através do caminho do desapego. Foi esta chave que há um ano fechou o ciclo no primeiro espaço onde dançámos, na @ilhadaluz.casa , que foi ninho para este projeto. Um ano depois, viajámos a sul, e celebrámos em Lisboa. 42 pessoas a dançar a chave 42. Um grupo maravilhoso e a magia a manifestar-se no incrível espaço @artkaizen_lisboa . Até já, família do sul! ❤️
O domínio manifesta-se por uma necessidade de sobrevivência. É um mecanismo que se inicia bem cedo, quando em crianças temos essa impressão de que o mundo não é seguro. É uma dinâmica que nos cria uma ilusão de importância, de poder, mas ao mesmo tempo, que estamos por nossa conta, e que nos temos de salvar nesta selva hierárquica. Quando reprimimos esta sombra, manifesta-se como timidez, e facilmente somos dominados pelos mais fortes. Reativamente, sentimo-nos a última bolacha do pacote, e para garantir o nosso poleiro, competimos. Com o dom da sinergia, entendemos que a segurança é uma sensação interna, que depende de nós, que a vida nos sustenta. O colo da vida lembra-nos que estamos seguros, até no nosso sofrimento. Fala-nos da alquimia de empoderar o outro, de criar uma rede colaborativa, que a boa-vontade é o maior dos poderes, que cria impacto através da sincronicidade e do passa-a-palavra. A comunhão é o grupo, com uma identidade única, que chama ao próprio grupo as pessoas certas. Estamos organizados num grande fractal de geometrias humanas que encaixam na perfeição. Nunca estivemos sozinhos. Nunca estivemos separados. Somos Um. Este é o convite de transformação da sombra do domínio à siddhi da comunhão, pelo caminho da sinergia.
A proposta das Gene Keys passa pela elevação do nosso nível de consciência, de forma a viver na frequência do dom. Despertar é isto mesmo. Iluminarmo-nos é isto mesmo. Trazer luz ao que está obscurecido, trazer luz às sombras para, a partir delas, colhermos os frutos das sementes lá plantadas. Este é o desafio da nossa vida, um legado arquetípico, o nosso propósito! Tão simples como complexo: reconhecer os nossos padrões e transformar cada um deles, de forma suave e gentil. No medo, na tensão, na dor. A gene key 51 convida-nos a contemplar a agitação na frequência da sombra, essa energia imensa, na tentativa de se libertar dos medos, mas que carece de direção e propósito. O dom da iniciativa é a frequência que protege os audazes, é o sopro que a vida dá na vela de quem decide navegar no incerto, navegar através do medo. Quanto mais acreditamos em nós, mais a vida nos dá suporte. E o despertar, a siddhi, essa frequência vem como um trovão. O despertar é um salto, que começa num salto de fé.
A minha jornada nas @genekeys é repleta de sincronicidades. A libelinha é símbolo das @genekeys, e da chave 55. Por muitas razões, é uma chave super poderosa e especial. Convida-nos a contemplar a sombra da vitimização, até à siddhi da Liberdade, pelo caminho da Liberdade. Sim, isso mesmo: Liberdade ao quadrado. Representa o caminho da humanidade, e usa a Libelinha como exemplo. Sabias que no início da sua vida, a libélula é um ser aquático? Vive debaixo de água, sem sequer imaginar outra realidade. Quando encontra condições, seja por se chegar perto da margem, ou por encontrar uma pedra ou uma folha, sobe à superfície e descobre que tem asas. Falamos várias vezes da metamorfose da borboleta, mas a libélula é de outro mundo!! Metaforicamente, a humanidade ainda vive debaixo de água, ignorando que existe outra realidade, outro mundo, outra forma de viver, uma consciência a que podemos aceder ao elevarmos a nossa frequência. Em outubro de 2021, quando dei por terminada a minha carreira de professora, organizaram-me uma festa surpresa. Nessa altura já sabia que algo iria surgir como INNA, mas estava tudo muito verde. O @pessegueiro_ceramic ofereceu-me uma libelinha em cerâmica, e nenhum dos dois sabia o seu significado. Hoje, volto a sorrir, e dou conta que os sinais estão sempre presentes, mesmo que não consigamos entender imediatamente o seu significado. 💫